quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

 

Inimputáveis

 

Várias têm sido as notícias que nos vêm dando conta de uma tremenda matança, selvagem, de animais silvestres, algures às portas da “capital do império”.

Algumas dessas notícias faziam referência a uma actividade de caça. A mim pareceu-me uma actividade que envergonharia o mais frio dos magarefes. E, ainda assim, não vi muitos caçadores nem contentes nem tristes a distanciarem-se deste acto desmedido e encarniçado. Que grande vontade de matar. Diz-se que foram 540 animais, entre javalis e cervídeos, numa herdade murada. Presumo que os animais não fugiram porque não lhes deu vontade.

Não sou contra a morte de animais. O ser humano tem que matar para não morrer. Se não matar animais terá que matar plantas, que pedras ainda me parece difícil comer.

A caça nasceu com o homem como forma de se sustentar, tal como outros animais o fazem, quer corram atrás de outros animais, quer apanhem as quietas plantas. Com uma grande e nobilíssima diferença. Apenas o necessário à satisfação do momento, num estrito compromisso de amanhã haverá amanhã.

Ali, a satisfação foi a morte. Foi uma nítida antecipação do dia dos santos inocentes.

Alguns falam de possíveis crimes, outros de crimes éticos, outros de crimes contra a natureza.

É provável que sim, que possa ser encontrada matéria para imputação de crimes. O que não me parece é que haja a quem os imputar. Da forma como vi a manifestação da Vã Glória de matar, por parte dos tais monteiros, não imagino maneira ou forma de lhe assacar responsabilidade.

Como sabe quem me conhece, desde há muito que venho dizendo: Só tem Culpa quem pode…

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