quinta-feira, 17 de novembro de 2022

 

Nada de novo.


Mudam os caretos, uns deixam a broa, outros "(...)comem tudo e não deixam nada."




O Céu Escurece.

 

Ventos rasantes cobrem de negro calados prados e seres errantes.

E nós, soturnos, aspergidos de negros medos,

tangemos o fosso fundo dos caboucos com os nós sangrantes dos dedos.

 

Esperanças mortas e vãos anseios escorrem sob os umbrais das portas.

O céu escurece…

Voam vampiros, sugando o alento (que traria o sol e levaria voando o vento),

cobrindo os homens de um céu lúgubre, pardo e cinzento.

(Mira - Fotografia de Bigorna)
 

E nós, calados… vamos morrendo,

no vale do nada, sem o sabermos,

caindo sempre no oco horrendo,

de saber passado a vez de havermos.

 

O céu escurece, mudo de tudo,

silenciando a confiança….

Sob o gigante, medonho e barbudo, da alta finança,

os monstros roubam toda a verdade.

 

Pululam lesmas gordas de cobiça e roliça vaidade.

Ditam leis embuçadas, leis filhas da pútrida caridade…

Que nos ficam, na garganta, entaladas.

As sanguessugas comandam toda a dança

e apregoam razões sem espada, sem norma e sem balança.

                        Poesia de Bigorna

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