segunda-feira, 19 de junho de 2023

 AI QUE VEM AÍ A IA!!!


Não, acho que não estou pior. Sosseguem os meus amigos e mais ainda os meus inimigos, estou na mesma… Burro como sempre fui, consciente de que não sou do lado inteligente da família, optimista no apogeu do meu pessimismo, a viajar entre a ira, o desespero e o riso imundo. No palco da vida, em estreia absoluta de uma tragicomédia de pendor melodramático.
Lembro-me de uma pequena estória, num dos meus livros da escola primária, que narrava um acontecimento estapafúrdio na selva. Resumidamente, os animais, à uma, desembestaram, numa debandada louca, depois de algum se ter assustado com um som onomatopaico de uma bolota a cair no charco. Vem aí o plop, vem aí o plop! Corriam e gritavam todos. Quando já todos corriam sem destino, um dos animais questionou o que seria, quem seria esse plop, que dentes teria, que gravata era a sua. Logo se constatou que ninguém sabia o que tinha acontecido. Foi então que, no silencia da interrogação viram cair, ali ao lado, uma bolota, no charco, e fazer plop. Tudo retomou a normalidade. O plop era a natureza a respirar naturalmente.
Parece-me que estamos a assistir a um episódio algo semelhante, nesta selva que é a nossa vida, com milhares de plops, de ruídos, de flops, mais ou menos novos, mais ou menos inventados, mais ou menos pouco compreendidos e muito pouco explicados (não fosse a informação uma arma valiosíssima). Vem Aí a Inteligência Artificial (fujam…).
Não querendo desvalorizar as ameaças que o galopar das tecnologias nos poderão trazer, convém não esquecer que é graças a um conjunto grande de avanços da tecnologia que conseguimos fazer face a muitas das adversidades e continuar a brincar aos papás e às mamãs (e até é bem interessante, às vezes).
As tecnologias e as invenções, regra geral, beneficiam a humanidade. Podem é ser usadas contra algumas facções ou a favor de outras que usarão a sua vantagem para subjugar as restantes. Escravaturas, prostituições (valor e dinheiro baralhados e remisturados, etc).
Nada de novo, portanto. Nem os Velhos do Restelo são novas invenções (Nesta pseudo invenção).
A tecnologia nuclear pode ser uma forma extraordinária de suprir crises energéticas, ao mesmo tempo que pode ser uma arma destrutiva. É usada para produzir energia e os seus “donos” subjugam quem tem que a comprar. Uma fatalidade…
Mas os grandes avanços sempre se bordejaram destas dualidades.
A escrita e a leitura, sendo uma das maiores invenções da humanidade, constituem uma ferramenta de enorme versatilidade para a comunicação e partilha de informação. Podem servir para transmitir informação falsa como para transmitir informação verdadeira. Os que sabem usar a escrita podem usar de vantagem sobre os que não a sabem usar. Uma fatalidade sobre a qual até se pode escrever muito…
A Inteligência Artificial, seja lá o que ela for, nem constitui uma novidade nem se exclui aos pressupostos anteriores. Pode constituir formas em que o universo dos utilizadores conscientes é reduzido? Pode. Isso pode degenerar em usos abusivos e constituir vantagem de uns sobre os outros, Pode. Haverá uso de inverdade e de arremesso sobre facções (seremos sodomizados pelas palavras?). Sim. Uma fatalidade tão fatal quanto todas as outras miseráveis e miserabilistas fatalidades…
Será possível, hoje, que uma máquina possa escrever textos, de qualquer cariz, melhor do que a maior parte dos humanos? Será. Mas, ontem, já existiam máquinas que faziam cálculo matemático melhor do que a generalidade dos humanos. A fatalidade da ignorância era, já, um quase pecado original (e como eu me vi para aprender a tabuada… e quantos dos meus amigos nunca a souberam?).
Vamos ter gente que escreve textos e não
(Com desenho do autor)

os sabe ler? Vamos. Já tínhamos gente que sabe utilizar uma calculadora e não sabe fazer contas? Tínhamos e temos (que me adiantam as contas se não sei que o resultado da conta de somar vomita o número 2, se depois não sei de quem e o que são esses dois? São meus, são teus? Vem o banco e diz que são dele… e “prontos”).
Qual é a novidade?
N A D A!!!!
Talvez o maior passo, encetado no caminho da invenção da inteligência artificial tenha sido a invenção dos deuses. Com um acrescento extraordinário que se gera no facto, simples e provável, de alguém ter inventado algo que sempre existiu. Sim alguém pode ter inventado deuses que afinal nos inventaram a nós. Também não é nada novo (é um recorrente “enganarem-nos a nós que vínhamos aqui para os enganarmos a eles”)
Para mim, não sendo um crente, não me arvoro também em ateu. Tomo-me de dificuldades em conseguir negar algo só porque lhe não conheço manifestações (e não consigo desatar o nó). Os deuses podem muito bem existir, mas no que concerne às características que as religiões lhe atribuem, são, na sua maior parte, puras invenções. E sendo invenções não deixam de constituir uma existência que condiciona a vida de milhões de pessoas (mas está tudo nas “biblias”, artefactos de uma invenção terrível que é a escrita, lembram-se?). As pessoas não intendem as leis dos deuses, mas os seus inventores trataram de acautelar esses factos, criando a ideia de os deuses serem tão poderosos e grandes que os humanos não os podem entender (nada a fazer, não há inteligência que nos valha). Está, aí, criada uma Inteligência artificial, com as características mais temidas. Os deuses, mesmo criados pelos humanos, tem o poder de controlar a própria humanidade (A criatura dominou o criador… uma nova fatalidade, ou não).
O medo da inteligência artificial é, essencialmente, esse: “ser-se dominado pela criatura”.
Não havendo nada de novo. Não deverá haver novos medos.
O problema não é a inteligência artificial, o problema é a ignorância natural.
A ignorância constituirá, sempre, a maior ameaça para todos nós. É a ignorância que permite o mau uso de todos os avanços. O tal Plop…
Viva a inteligência, qualquer que ela seja, se vier em benefício da humanidade. E, a humanidade só será verdadeiramente inteligente se for capaz de não se destruir ou de destruir o seu habitat.
De alguns deuses… Eu, tenho medo. Ameaçam acabar com isto tudo… passam o tempo a falar de Plopes que estão para vir…
Por mim, estou disposto a parar e a aceitar que me expliquem que estou errado. Obrigado.
Bigorna (XIX6023VI)

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