quarta-feira, 28 de junho de 2023

(Fotografia de Bigorna)


Leia... Escreva...

Podemos ver filmes, mil imagens, músicas que nos fazem viajar. Acredito que nada se entranha tanto em nós como a palavra escrita e lida.

Admiro um bom orador, desde a sua voz até aos gestos com que gere a sua orquestra interior, fazendo uma sinfonia que ecoa e pode ressoar em multidões, mesmo que elas estejam dispersas. Mas a palavra dita é volátil. Se não a podermos gravar para reutilizar e reflectir, vai, à velocidade das leis do Universo, para um baú escuro chamado passado.
As palavras escritas podem sempre ser, de novo, beijadas. Gosto de pegar nelas e apalpá-las, como se fosse a primeira vez, ou reviver os gemidos que já partilharam comigo.
Gosto de quem escreve bem, como se acrescentasse às palavras um certo sabor de forno a lenha. Como se ao servir as palavras, nas suas frases mais adornadas, elas surgissem com um leve caramelizado tornando impossível lê-las sem sentir a necessidade de as repetir, ainda que segredadas, para que o seu sabor deslize pelo palato, flua e exale pelas narinas.
Depois disso só um bom beijo, um copo do melhor vinho ou o sonho de um wisky velho.
As palavras são para saborear, como o corpo quando se faz amor... Cheiros e tudo... Aahh o cheiro a desejo orvalhado, a vapor de volúpia, a estuário de marés vivas!
Ler é uma relação próxima, diferente das relações virtuais e sem pele.
Se hoje tiver o direito de pedir, peço:
Escreva. Leia. Faça amor com as palavras, dê orgasmos à sua reflexão. Disse.

Bigorna (XXVIII6023)

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