segunda-feira, 14 de novembro de 2022

 

O Lado Limpo

 

(A fotografia é de Bigorna).
O (Cu)zinheiro pediu
  que a fonte não fosse revelada.

Na lânguida vontade de mostrar ao mundo que quem pode não come o que os pobrezinhos comem, os cozinheiros de imaginação superlativa desfazem-se em autênticos exercícios de Kamasutra para mostrar a sua excelsa criatividade. Isto ou aquilo servido em cama de aqueloutro, acompanhado de uma redução de vinho de uvas, ao infinito de o vinho voltar a ser grainha…

Citando João Sevilhano, 14 Dezembro de 2018 (https://linktoleaders.com/do-politicamente-correto-parte-1-contexto/):
“Há poucos anos tomei contacto com uma definição de “politicamente correto” que se enraizou na minha memória, a ponto de a tornar minha. Na verdade, isto significa que me esqueci da fonte e que tenho-me aproveitado para elaborar sobre o assunto. A definição é qualquer coisa como: “politicamente correto é uma teoria que sustenta a ideia de que é perfeitamente possível pegar num pedaço de merda pelo lado limpo”. Pois bem, não creio ser possível. Se é merda, é merda. Vai sujar, cheirar mal e contaminar. Por outro lado, se a virmos para lá das suas caraterísticas mais proeminentes, podemos utilizá-la como fertilizante, por exemplo. Não como um fim trágico de algo, mas como um catalisador de um início qualquer.”


Eis um prato para magnatas, de boca grande.

domingo, 13 de novembro de 2022

 A Roda


Dizem, que antes de a roda redonda ser inventada, inventaram uma roda quadrada. Mas, como dava muitos solavancos, alguém inventou uma triangular.
A Roda, que de quadrada se fez redonda, que de poucos poucos lados passou a um número infinito deles, com solavancos suaves ou imperceptíveis. (fotografia de Bigorna).
Era menos um solavanco!
Haverá progresso sem solavancos?

Pensamento ou Moinho de Vento?

 

Não sei se o moinho mói o vento,

se o vento mói o moinho.

É, pois, tanto e tão revolto o burburinho

que mais que a amargura, sobra o maduro tormento…

E, nas velas, gemendo, se desgasta o movimento,

crescendo de um sonho…. Pequenino…

Qual bichinho de conta enrolado e comezinho,

o pensamento vai enrolando o tino, em novelo,

sem destino, sem mando, sem tento.

Não sei, não entendo… Se o vento mói o moinho…

Ou se o moinho mói, porventura, o vento…

                                                                                        Bigorna, 2008


sábado, 12 de novembro de 2022

 O tempo voa...

(Fotografia de Bigorna)

AMPULHETA ALADA: significa que o tempo voa com asas de morcego durante a noite e com asas de anjo durante dia.

Podemos encontrar este símbolo em inúmeros jazigos.

Ampulheta representa o tempo que vai passando de uma maneira enumerável. 

É uma advertência aos vivos que o seu

 tempo está contado.

Conta e Tempo


Deus pede hoje estrita conta do meu tempo.
E eu vou, do meu tempo dar-Lhe conta.
Mas como dar, sem tempo, tanta conta.
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para ter minha conta feita a tempo
O tempo me foi dado e não fiz conta.
Não quis, tendo tempo fazer conta,
Hoje quero fazer conta e não há tempo.

Oh! vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passa-tempo.
Cuidai, enquanto é tempo em vossa conta.

Pois aqueles que sem conta gastam tempo,
Quando o tempo chegar de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo.

Frei Antonio das Chagas (1631-1682)
 

 Avelhentar


Acer Tridente (Fotografia de Bigorna)

Um Acer Tridente, ou Liquidâmbar, no esplendor de quem se permite deixar de sintetizar clorofila. Chegou-lhe o Outono.
Outras cores, sabores e conteúdos habitam o entardecer das nossas vidas, sem que isso nos apouque...
Não é a velhice do Padre Eterno, mas é um doce avelhentar.

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Mamar é uma arte...


 Mamar é uma arte. Pode exigir audácia e até alguma perícia e acrobacias dignas de artistas de circo... Mas é absolutamente gratificante, podendo mesmo tornar-se uma dependência que poucos entendem...

(fotografia de Bigorna)
Há quem diga que existe leite de amêndoa, e de soja... Parece que a ordenha é laboriosa e o sacrifício digno da conquista de um lugar nos paraísos.

Mas os mais curiosos podem, também, fazer uma pesquisa sobre leite de frango. Vai haver surpresas e surpreendidos.



quinta-feira, 10 de novembro de 2022

 Não tem muros, o Mundo

 

Não tem muros, o Mundo

 

Na noite de 9 para 10 de Outubro de 1989, há 33 anos portanto, caia o Muro de Berlim. Pode dizer-se que essa noite já nasceu amanhecida e a escuridão desse dia não passou de um anuncio gorado. O sol alumiou todas as horas dessa noite e a brisa das harmonias dissipou as mais espessas brumas do horizonte.

Foi uma queda de pequenas porções, de pó, de areias de pedras, mas o início de uma queda com estrondo e ecos de esperança. Ainda hoje, lá longe, haverá extraterrestres a estudar o fenómeno astrológico que provocou semelhantes auroras boreais em todos os universos…

Ainda que a construção de um muro sempre tenha servido de estímulo aos construtores de escadas, para vencer a sua hipotética intransponência, a sua existência perdurará sempre  como uma sombra aos abraços da luz com as sombras.

(fotografia de Bigorna)
Foram 27 anos de angústias e sombras negras, vencidos por muitas almas que feneceram anónimas, a tentar transpo-lo, para que algo nunca anódino pudesse triunfar. A Liberdade.

E o Muro Caiu.

Resta uma réstia de desilusão. Com as suas pedras poderiam ter-se construído pontes, entre os corações, entre as ideias que se opõe, entre os olhares oblíquos que se continuam a incompreender.

O Muro Caiu, mas não caiu todo e é necessário ter presente que o mundo não nasceu com muros.

A victória continua incompleta.

 


quarta-feira, 9 de novembro de 2022

 

Tirem-me o Cobranto

 

Raios, coriscos, tornados, secas, pragas, pandemias… Todo o mal e todas as tropelias.

O mundo deve mesmo estar para acabar. Atentemos aos ditos e escritos bíblicos e aos proféticos bruxedos neles contidos. Quando as árvores derem frutos fora do tempo e outros estranhos acontecimentos advierem, estamos com os dias contados.

E quando foi que não tivemos os dias contados?

No entanto, também me apetece profetizar. Atendam:

- governantes corruptos (que nunca houve);

- violência doméstica, machismos e misoginias (tudo novidades e modernices);

- abusos sexuais (já mais vistos e ouvidos);

- jogadores de futebol que partem tudo à pancada e treinadores que lhes dão o profícuo exemplo;

- condutores de autocarros de jovens estudantes, que do interior blindado das vidraças das suas viaturas, insultam, em abastado vernáculo de cultura popular, os outros condutores, dando assim exemplo ancho da sua experiência de adultos educadores;

- filhos que aos 30 anos vivem em casa dos pais, torturados pelas ementas repetitivas das refeições dos pais e na dependência esquecida do seu coberto, cospem no prato da sopa onde comem e cagam nas suas necessidades;

 - a lua que teima, aluada de todo, em “melgar” a terra, na sua impertinência metamorfótica, umas vezes aparecendo cheia e outras em fatias

(que já não há paciência para ela e rareia em eclipses);

- Chefes de estado democraticamente eleitos que atropelam a democracia e brandam emotivas ameaças, etc, etc, etc.

E, como se não bastasse, ainda há quem se arrogue o direito de ter governos sérios. Isto é mesmo o fim do mundo. E quem de nós os educou para isso?!

                                               

Tirem-me o Cobranto! (que eu não consigo ser mais pessimista).

  Pimenta no cu dos outros… (Série)   Inspirado num poste sobre espera. A vida, se a observarmos, de todos os lados, e a conseguirmos ...