Saudade
(haverá escala de medição da saudade?)
Nasci aos pés dos Hermínios, onde, por lá, também Lusitano e Viriato, terão vencido o Inverno e o Inferno. Tataraneto de ferreiro que, por dizer, “Quando vou para a minha bigorna sou homem para fazer um relógio”, foi brindado com a alcunha. Adoptei, com vontades e inveja saudáveis, esse rijo nome. Bigorna
Um Pão
A competitividade entre povos, entre países, entre vizinhos, entre humanos, entre átomos e entre universos, será uma fatalidade inevitável?
O Trote das Trotinetas
Não somos melhores do que as
gerações que nos precedem, mas os que estão a chegar somente vêm de trotinete
eléctrica.
Convenhamos, o que estamos e
observar é um avanço significativo, mas no caminho do retrocesso.
Sob pretexto de sermos uma
civilização mais ecológica, menos poluidora do ambiente, menos ruidosa, menos
predadora, agora andamos a trote, não na “volúpia da escapada”, mas sobretudo
na “falácia engodada”.
É necessário perceber que a transição
energética das trotinetes não se processou do motor de combustão de carburante
para o motor de uso de baterias eléctricas. Esta transição processa-se do “à
pata” para o comodismo.
Onde, antes íamos a pé ou de
bicicleta ou dando impulsos, com uma trotinete convencional, agora estamos a ir
de trotineta eléctrica. Contentinhos, cantando e rindo, porque nos disseram que
toda a electricidade nasce nas montras dos distribuidores, como as frangas nuas
e sem penas nascem nas montras dos supermercados.
| (mais uma tentativa, obscena, de desenhar) |
Estamos empalhados, é o que é.
Fica a minha sugestão:
Montem-se os comboios, os
autocarros e os aviões em trotinetas eléctricas.
Alimentemo-nos de risos e falácias
verdes.
Defequem-se larachas esotéricas.
Saciemos de pó e éter as nossas fomes
e sedes.
E, já agora, ensinem lá coisas importantes
aos miúdos. Se fazem favor. Obrigado
As mulheres de vida fácil…
| (Desenho, miserável, de Bigorna) |
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| (Fotografia de Bigorna) |
Carta Aberta aos Meus Medos
Hoje acordei com medo de não ser capaz de pintar, por palavras, todo o fumo e as nuvens negras que escorrem pelas minhas paredes de dentro. Esse bafo podre pardo e ardente, que o medo baforou nas minhas entranhas, grosso e fedorento. Esse Pântano pútrido só habitado por seres sem pernas que se arrastam com a língua por terra.
Quero que todas as tuas ameaças tenham medos da minha raiva por ter medo. Hoje vou esganar-te com as próprias mãos esfoladas e fazer o sangue das minhas mãos evaporar em lágrimas de chumbo como se fossem almas penadas. Hoje vou arrancar pelos olhos as raízes das flores ferrugentas dos receios, perseguir todos os possíveis recreios de qualquer réstia de sossego. Vou triturar o teu feitio reles e rabugento. Esganar-te-ei pelo fim do funil do mundo e vou enfiar-te aos pontapés e aos berros em qualquer porta do fundo, esperando que o corredor esteja bem mal cheiroso, sujo e imundo, que os tecto desabem negros e defuntos.
Não voltarei a tecer-te avisos pois que é findo o teu reinado de fezes extintas e pulverizadas ao vento.
Hoje publico, decreto e ratifico que o teu mau odor é, apenas, um pardo remorso sem tempo e sem momento.
Não mais assustarás crianç
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| (Fotografia de Bigorna) |
Disse
Bigorna (XXXI6023V)
Pimenta no cu dos outros… (Série) Inspirado num poste sobre espera. A vida, se a observarmos, de todos os lados, e a conseguirmos ...